Vangulula House – Casa das Fístulas Obstétricas no Hmiam

Vangulula House – Casa das Fístulas Obstétricas no Hmiam

A fístula obstétrica é uma ruptura no canal vaginal geralmente causada por partos demorados ou obstruções na hora de dar à luz, e pela ausência de cuidados médicos. A fistula obstétrica causa incontinência e vazamento da urina e das fezes. Se não for tratada, pode gerar infecção, doença e infertilidade.

Muitas mulheres acabam marginalizadas, estigmatizadas e isoladas. E em alguns casos, são abandonadas pelos parceiros e família, perdem oportunidades de empregos, são lançadas para a pobreza e podem até começar a sofrer de problemas mentais e um alto risco de suicídio. Estima-se que 500 mil meninas e mulheres vivem com o problema em todo mundo, com maior incidência nas áreas mais recônditas, com um sistema de saúde precário.

O Hospital Materno Infantil DR. Manuel Pedro Azancot de Menezes conta desde 2024 com a Vangulula House. A Vangulula House surge no âmbito de um projecto já criado com a mentoria da Directora Geral do hospital, Dra Manuela Mendes, Médica Gineco-obstetra, coadjuvada pelo Dr. Paolo Perimbeli, Cirurgião Geral. Este projecto tem como finalidade a erradicação da fístula obstétrica em Angola.

A Vangulula House se dedica ao tratamento e a reabilitação de mulheres que sofrem desta condição, acolhendo assim, todas as mulheres vindas de diferentes áreas a nível do país acometidas por este mal.

Para além destas mulheres serem operadas e tratadas, A Vangulula House também devolve-lhes a dignidade e esperança de vida, oferecendo-lhes a oportunidade de serem incluídas em programas de reintegração social.

Apela-se à todas as mulheres que tenham perda involuntária de urina, após o parto ou cirurgia, que não se isolem! Que procurem os hospitais para que posteriormente sejam encaminhadas para a Vangulula House ou sejam direccionadas às campanhas de cirurgias de reparação de fístulas que, têm sido realizadas um pouco por todo o país, como é o exemplo do Hospital Walter Strangway no Bié.

Meninas e mulheres com idades compreendidas entre os 15 e 75 anos, têm acorrido à esse projecto, muitas delas depois de terem vivido com a fístula mais de metade das suas vidas.